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A Lenda da Cestaria
Há muitos e muitos anos, na profundeza do Rio Paru de Leste, afluente
do Amazonas, e mais precisamente na divisa com o rio Axiki, vivia a
serpente Tuluperê, conhecida popularmente como a cobra-grande. Ela tinha
um comprimento fora do comum. A pele, desde a cabeça até o final do
corpo, apresentava as cores vermelha e preta. E reunia características
da sucuriju e da jibóia. Tuluperê virava embarcações que navegavam nas
águas dessa divisa e, quando conseguia pegar uma pessoa, apertava-a
até matar e dela se alimentava. Um dia, os índios da nação Wayana, da
família linguística Karib, com a ajuda do Xamã, líder religioso, conseguiram
matar Tuluperê, depois que a atingiram com muitas flechas. Nessa ocasião,
viram os desenhos da pele da cobra-grande, memorizando-os. A partir
daí, passaram a reproduzí-los em todas as suas peças de cestaria.
A Lenda
da Mandioca
A mandioca é uma raiz amidosa, muito volumosa, usada para fazer um especial
tipo de farinha. A farinha da mandioca faz parte da comida diária dos
nativos da Amazonia, e é usada só ou acompanhada de arroz, batata, milho,
e como acompanhamento para peixe, carne ou feijão. Esta raiz possui
um forte veneno, cianide que precisa ser eliminado durante a preparação
da farinha. Isto é feito durante o cozimento ou fermentação da raiz.
A massa obtida é tostada e está pronta para armazenagem. Em épocas remotas,
a filha de um poderoso tuxaua foi expulsa de sua tribo e foi viver em
uma velha cabana distante por ter engravidado misteriosamente. Parentes
longíquos iam levar-lhe comida para seu sustento, e assim a índia viveu
até dar a luz a uma linda menina, muito branca, o qual chamou de Mani.
A notícia do nascimento se espalhou por todas as aldeias e fez o grande
chefe tuxaua esquecer as dores e rancores e cruzar os rios para ver
sua filha. O novo avô se rendeu aos encantos da linda criança a qual
se tornou muito amada por todos. No entanto, ao completar três anos,
Mani morreu de forma também misteriosa, sem nunca ter adoecido. A mãe
ficou desolada e enterrou a filha perto da cabana onde vivia e sobre
ela derramou seu pranto por horas. Mesmo com os olhos cansados e cheios
de lágrimas ela viu brotar de lá uma planta que cresceu rápida e fresca.
Todos vieram ver a planta miraculosa que mostrava raízes grossas e brancas
em forma de chifre, e todos queriam prová-la em honra daquela criança
que tanto amavam. Desde então a mandioca passou a ser um excelente alimento
para os índios e se tornou um importante alimento em toda a região.
Mandi = Mani, nome da criança. oca = aca, semelhante a um chifre.
A Lenda
do Boto
Existem dois tipos de botos na Amazonia, o rosado e o preto, sendo cada
um de diferente espécie com diferentes hábitos e envolvidos em diferentes
tradições. Viajando ao longo dos rios é comum ver um boto mergulhando
ou ondulando as águas a distância. Se diz que o boto preto ou tucuxi
é amigável e ajuda a salvar as pessoas de afogamentos, mas dizem que
o rosado é perigoso. Sendo de visão ineficiente, os botos possuem um
sofisticado sistema sonar que os ajuda a navegar nas águas barrentas
do Rio Amazonas. Depois do homem eles são os maiores predadores de peixes.
A lenda do boto é mais uma crença que o povo costumava lembrar ou dizer
como piada quando uma moça encontrava um novo namorado nas festas de
junho. É tradição junina do povo da Amazônia festejar os Dias de Santo
Antonio, São João e São Pedro. Em estas noites se fazem fogueiras e
se queima foguetes enquanto se desfruta de comidas típicas e se dança
quadrilhas e outras danças ao som alegre das sanfonas. As lendas contam
que em estas noites, quando as pessoas estão distraídas celebrando,
o boto rosado aparece transformado em um bonito e elegante rapaz, mas
sempre usando um chapéu, porque sua transformação nao é completa, pois
suas narinas se encontram no topo de sua cabeça fazendo um buraco. Como
um cavalheiro, ele conquista e encanta a primeira jovem bonita que ele
encontra e a leva para o fundo do rio, engravidando-a e nunca mais voltando
para vê-la. Durante estas festividades, quando um homem aparece usando
um chapéu, as pessoas pedem para que ele o retire para que não pensem
que ele é um boto. E quando uma jovem engravida e não se sabe quem é
o pai, é comum dizerem ser "do boto".
Lenda
do Guaraná
O guaraná é um fruto da Amazonia usado para fazer uma soda ou refrigerante
de sabor doce e agradável. É uma bebida bastante popular na Amazônia.
A origem deste fruto é explicada na seguinte lenda: Um casal de índios
pertencente à tribo Maués viviam juntos por muitos anos sem ter filhos,
mas desejavam muito ter uma criança ao menos. Um dia, eles pediram a
Tupã uma criança para completar aquela felicidade. Tupã, o rei dos deuses,
sabendo que o casal era cheio de bondade, lhes atendeu o desejo trazendo
a eles um lindo menino. O tempo passou rapidamente e o menino cresceu
bonito, generoso e bom. No entanto, Jurupari, o deus da escuridão, sentia
uma extrema inveja do menino e da paz e felicidade que ele transmitia,
e decidiu então ceifar aquela vida em flor. Um dia o menino foi coletar
frutos na floresta e Jurupari se aproveitou da ocasião para lançar sua
vingança. Ele se transformou em uma serpente venenosa e mordeu o menino,
matando-o instantaneamente. A triste notícia se espalhou rapidamente.
Neste momento, trovões ecoaram na floresta e fortes relâmpagos caíram
pela aldeia. A mãe, que chorava em desespero, entendeu que os trovões
eram uma mensagem de Tupã, dizendo que ela deveria plantar os olhos
da criança e que deles uma nova planta cresceria dando saborosos frutos.
Os índios obedeceram ao pedido da mãe e plantaram os olhos do menino.
Neste lugar cresceu o guaraná, cujas sementes são negras, cada uma com
um arilo em seu redor, imitando os olhos humanos.
A Lenda
da Vitória Régia
A maior lili aquática no mundo é a Vitória Régia, nativa da bacia do
Rio Amazonas. Suas folhas arrendondadas atingem até 2 m de diamêtro
e possuem as bordas pronunciadas e levantadas. A vitória régia flutua
graciosamente na água e pode sustentar o peso correspondente ao tamanho
de um pequeno animal. Quando floresce, suas pétalas são brancas ou levemente
rosadas, com bordas esverdeadas. Há muitos anos, nas margens do majestoso
Rio Amazonas, Naia, uma jovem e bela índia ficava a admirar e contemplar
por longas horas a beleza da lua branca e o mistério das estrelas. Enquanto
o aroma da noite tropical enfeitava aqueles sonhos, a lua deitava uma
luz intensa nas águas, fazendo Naia subir numa árvore alta para tentar
tocar a lua. Ela não obteve êxito. No próximo dia, ela decidiu subir
as montanhas distantes para sentir com suas mãos a maciez aveludada
do rosto da lua, mas novamente ela falhou. Quando chegou lá, a lua estava
tão alta que retornou à aldeia desapontada. Ela acreditava que a Lua
era um bonito guerreiro - Jaci, e sonhava em ser a noiva desse bravo
guerreiro. Na noite seguinte, Naia deixou a aldeia esperando realizar
seu sonho. Ela tomou o caminho do rio para encontrar a lua nas negras
águas. Refletida no espelho das águas, lá estava a Lua, imensa, resplandescente.
Naia, em sua inocência, pensou que a lua tinha vindo se banhar no rio
e permitir que fosse tocada. Ela mergulhou nas profundezas das águas
desaparecendo para sempre. A lua, sentindo pena daquela tão jovem vida
agora perdida, transformou Naia em uma flor gigante - a Vitória Régia
- com um inebriante perfume e pétalas que se abrem nas águas para receber
em toda sua superfície, a luz da lua.
A Lenda
do Pirarucú
O pirarucu é um peixe da Amazônia, cujo comprimento pode chegar até
2 metros. Suas escamas são grandes e rígidas o suficiente para serem
usadas como lixas de unha, ou como artesanato ou simplesmente vendidas
como souvenirs. A carne do Pirarucu é suave e usada em pratos típicos
da nossa região. Pode também ser preparada de outras maneiras, frequentemente
salgada e exposta ao sol para secar. Se fresca ou seca, a carne do pirarucu
é sempre uma delícia em qualquer receita. Pirarucu era um índio que
pertencia a tribo dos Uaiás que habitava as planícies de Lábrea no sudoeste
da Amazonia. Ele era um bravo guerreiro mas tinha um coração perverso,
mesmo sendo filho de Pindarô, um homem de bom coração e também chefe
da tribo. Pirarucu era cheio de vaidades, egoísmo e excessivamente orgulhoso
de seu poder. Um dia, enquanto seu pai fazia uma visita amigável a tribos
vizinhas, Pirarucu se aproveitou da ocasião para tomar como refém índios
da aldeia e executá-los sem nenhuma motivo. Pirarucu também adorava
criticar os deuses. Tupã, o deus dos deuses, observou Pirarucu por um
longo tempo, até que cansado daquele comportamento, decidiu punir Pirarucu.
Tupã chamou Polo e ordenou que ele espalhase seu mais poderoso relâmpago
na área inteira. Ele também chamou Iururaruaçú, a deusa das torrentes,
e ordenou que ela provocasse as mais fortes torrentes de chuva sobre
Pirarucú, que estava pescando com outros índios as margens do rio Tocantins,
não muito longe da aldeia. O fogo de Tupã foi visto por toda a floresta.
Quando Pirarucu percebeu as ondas furiosas do rio e ouviu a voz enraivecida
de Tupã, ele somente as ignorou com uma risada e palavras de desprezo.
Então Tupã enviou Xandoré, o demônio que odeia os homens, para atirar
relâmpagos e trovões sobre Pirarucu, enchendo o ar de luz. Pirarucu
tentou escapar, mas enquanto ele corria por entre os galhos das árvores,
um relâmpago fulminante enviado por Xandoré acertou o coracão do guerreiro
que mesmo assim ainda se recusou a pedir perdão. Todos aqueles que se
encontravam com Pirarucu correram para a selva terrivelmente assustados,
enquanto o corpo de Pirarucu, ainda vivo, foi levado para as profundezas
do rio Tocantins e transformado em um gigante e escuro peixe. Pirarucu
desapareceu nas águas e nunca mais retornou, mas por um longo tempo
foi o terror da região.
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