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Os
povos que habitavam o litoral do Brasil eram na maioria falantes de
línguas do tronco Tupi. A maioria foi dizimada,
dominada ou refugiou-se nas terras interioranas para evitar o contato
com o homem branco. Hoje, somente os Fulniô (de Pernambuco), os Maxakali
(de Minas Gerais) e os Xokleng (de Santa Catarina) conservam suas línguas.
Curiosamente, suas línguas não são Tupi, mas pertencentes a três famílias
diferentes ligadas ao tronco
Macro-jê. Os Guarani, que vivem em diversos estados
do Sul e Sudeste brasileiro, e que também conservam a sua língua, migraram
do Oeste em direção ao litoral em anos relativamente recentes. As demais
sociedades indígenas que vivem no Nordeste e Sudeste do País só falam
o português, mantendo apenas, em alguns casos, palavras esparsas, utilizadas
em rituais e outras expressões culturais. Pelo menos 180 línguas são
faladas nas tribos do Brasil.
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Na classificação genética, reúnem-se numa mesma classe as línguas que
tenham tido origem comum numa outra língua mais antiga, já extinta.
Desta forma, as línguas faladas pelos diversos povos da Terra são agrupadas
em famílias lingüísticas, e estas famílias são reunidas em troncos lingüísticos,
sempre buscando a origem comum numa língua anterior. Embora o português
seja a língua oficial no Brasil, deve haver por volta de outras 200
línguas faladas regularmente por segmentos da população. O lingüista
brasileiro Aryon Dall'Igna Rodrigues estabeleceu uma classificação das
línguas indígenas faladas no Brasil, sendo esta a mais utilizada pela
comunidade científica que se dedica aos estudos pertinentes às populações
indígenas.
As línguas são agrupadas em famílias, classificadas como pertencentes
aos troncos Tupi, Macro-Jê e Aruak. Há Famílias,
entretanto, que não puderam ser identificadas como relacionadas a nenhum
destes troncos. São elas: Karib, Pano, Maku, Yanoama, Mura, Tukano,
Katukina, Txapakura, Nambikwara e Guaikuru. Além disso, outras línguas
não puderam ser classificadas pelos lingüistas dentro de nenhuma família,
permanecendo não-classificadas ou isoladas, como a língua falada pelos
Tükúna, a língua dos Trumái, a dos Irântxe etc. Ainda existem as línguas
que se subdividem em diferentes dialetos, como, por exemplo, os falados
pelos Krikatí, Ramkokamekrá (Canela), Apinayé, Krahó, Gavião (do Pará),
Pükobyê e Apaniekrá (Canela), que são, todos, dialetos diferentes da
língua Timbira.
Há sociedades indígenas que,
por viverem em contato com a sociedade brasileira há muito tempo, acabaram
por perder sua língua original passando a falar somente o português.
De algumas dessas línguas não mais faladas ficaram registros de grupos
de vocábulos e informações esparsas, que nem sempre permitem aos lingüistas
suficiente conhecimento para classificá-las em alguma família. De algumas
outras línguas, não ficaram nem resquícios. Estima-se que cerca de 1.300
línguas indígenas diferentes eram faladas no Brasil há 500 anos. Hoje
são 180, número que exclui aquelas faladas pelos índios isolados, uma
vez que eles não estão em contato com a sociedade brasileira e suas
línguas ainda não puderam ser estudadas e conhecidas.
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Tupi-Guarani
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