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Marechal
Candido Rondon - Entre a construção de linhas telegráficas
na Amazônia e Mato Grosso a partir de 1907, o então tenente
Cândido Mariano da Silva Rondon, realizou a missão de contatar
e pacificar as tribos mais temidas da região. Numa época que
os índios eram abatidos a tiros ao primeiro encontro. Ao substituir
o ódio pela ternura, a suspeita pela confiança e as carabinas por miçangas,
Rondon se tornou o maior dos humanistas brasileiros e o mais respeitado
defensor dos índios em todo o continente. Rondon era descendente de
índios Terenas, e nasceu em Mato Grosso em 1865. Rondon iria cunhar
a frase que se tornou o símbolo de sua relação com os índios: "Morrer
se preciso for, matar nunca". Em 1910, Rondon fundou o Serviço de Proteção
ao Índio (SPI), primeiro órgão do Governo a tratar da questão indígena.
"Sertões onde nunca pisou homem civilizado já figuram nos registros
públicos como pertencentes aos cidadão A ou B; mais tarde ou mais cedo,
esses proprietários expelirão daí os índios que, por uma inversão monstruosa
dos fatos, da razão e da moral, serão então considerados e tratados
como se fossem eles os intrusos salteadores e ladrões." (Rondon, Conferências,
1916:45).
Irmãos Villas Boas
- (Orlando, Cláudio e Leonardo) - Seguiram a obra de Rondon, com quem
começaram a trabalhar durante a expedição Roncador-Xingu, em 1945, feita
sob supervisão do SPI. Quando essa expedição partiu em direção ao centro
geográfico do país, os sertões do Brasil Central eram praticamente terra
incógnita. Fizeram parte do grupo que cruzava o rio das Mortes, entrando
no território ainda intocado dos índios Xavantes. Depois de três anos
de marcha, Orlando foi nomeado chefe da expedição por determinação do
próprio Rondon (que não participou da jornada). Nos dois anos seguintes,
construiu 18 campos de pouso e pacificou os Xavantes, os Jurunas, e
os Caiabis. Em 1951, terminada a expedição, Orlando iniciou uma campanha
pela criação de um Parque Nacional no Xingu, no qual a vida selvagem
- e especialmente as tribos indígenas - pudesse sobreviver. Dez anos
mais tarde, quando o parque, enfim, foi criado, Orlando Villas Boas
tornou-se seu primeiro diretor. O Xingu se transformaria então no modelo
idílico para todas as reservas indígenas do planeta.
Orlando
Villas Boas - O sertanista Orlando Villas Boas, morreu no dia 12
de dezembro de 2002, aos 88 anos, devido a falência múltipla dos órgãos.
O Parque Nacional do Xingu, sua obra máxima, tem 4 mil habitantes divididos
em 13 nações, em 2,8 milhões de hectares, equivalente à França e Inglaterra
juntas. Nascido em Botucatu, São Paulo, em 12 de janeiro de 1914, Orlando
teve seus primeiros contatos com os índios em fazendas na fronteira
com o Mato Grosso. Fascinado pelo que lera sobre o marechal Rondon,
incorporou-se à expedição Roncador-Xingu, com os irmãos Leonardo e Cláudio,
que morreram em 1961 e 1998, atravessou a selva nos anos 40 e 50, deixando
no seu rastro uma trilha até Manaus, mais de três dezenas de cidades,
aeroportos, pequenas vilas. Manteve contato com pelo menos 20 tribos.
Curt
Nimuendaju - Nimuendaju, em tupi-guarani, quer dizer "aquele que
fez seu próprio lar". Era uma definição que, em 1906, Curt Unkel, decidiu
adotá-la como nome. Fazia apenas três anos, ele desembarcara no porto
de Santos, vindo de Jena, Alemanha, onde nasceu em 1883. Ao contrário
de seus companheiros de viagem, que seguiram para o sul, decidiu embrenhar-se
nas matas do oeste de São Paulo. Lá, encontrou os guaranis-apinacauás,
foi adotado pela tribo e trocou de nome. Estava começando a carreira
do maior etnólogo brasileiro de todos os tempos. Durante os 40 anos
seguintes, Curt Nimuendaju percorreria o Brasil de norte a sul, estudando
cerca de 30 povos indígenas, sempre como observador participante; foi
colaborador de museus alemães, suecos e brasileiros e do SPI (Serviço
de Proteção aos Índios). Sua obra é considerada das mais extensas e
importantes na etnologia brasileira. Deixou mais de 50 livros - quase
nenhum traduzido para o português. Morreu em 1945, às margens do Amazonas,
sem jamais ter retornado ao convívio com os brancos. Foi enterrado como
o índio que de fato tinha virado.
Darcy
Ribeiro - Nasceu em 1922 em Montes Claros. Em 1940 adere ao movimento
comunista e segue a Escola de Sociologia. Em 1947 consegue um contrato
com o Marechal Rondon para trabalhar como naturalista dedicando-se aos
índios Kadiwéu. Em 1950 coopera com a Superintendência de Valorização
Econômica da Amazônia, elaborando o plano de colonização das fronteiras
e de amparo às populações indígenas da região. Organiza no Rio de Janeiro
o Museu do Índio, primeiro museu etnográfico dedicado expressamente
à luta contra o preconceito. Elabora ainda o plano de criação do Parque
Indígena do Xingú. Com o golpe militar é exilado lecionado em
países da América do Sul. Retorna ao Brasil em 1976 onde,
no Rio de Janeiro participa ativamente da campanha contra a falsa emancipação
dos índios, pretendida pela ditadura militar. Em 1979 anistiado, associa-se
a Leonel Brizola colabora na criação do Partido Democrático Trabalhista
-PDT. Em 1982 é eleito, junto com Leonel Brizola, Vice-Governador do
Estado do Rio de Janeiro. Em 1990 retoma seu plano de implantar o Projeto
Caboclo destinado a criar, experimentalmente, novas formas não destrutivas
de ocupação humana da Amazônia. Elege-se Senador. Em 1997 morre em Brasília
no dia 17 de fevereiro, deixando um legado de obras do estudo indígena
a formas políticas e de ensino.
Araribóia - Ou Ararigbóia,
que significa "cobra feroz". Antigo senhor da ilha de Paranapuã, o temiminó
Araribóia era tão fiel aos portugueses que se batizou com o nome de
Martim Afonso de Sousa. Ajudou Mem de Sá e Estácio de Sá na luta contra
os franceses no Rio de Janeiro e seus aliados Tamoios. Por sua participação
decisiva na conquista do Rio, foi feito cavaleiro da Ordem de Cristo
e ganhou uma vasta sesmaria em Niterói. Mas, em 1574, repreendido pelo
governador Antônio Salema por cruzar as pernas na presença dele, Araribóia
se ofendeu, voltou para Niterói e não saiu mais de lá, até morrer, esquecido.
Felipe Camarão - Nasceu
na região que é hoje o Rio Grande do Norte. Índio batizado e casado
com Clara Camarão, que, conforme o costume indígena, acompanhava o marido
nos combates. Participou da luta pela expulsão dos holandeses de Pernambuco
(1637). Por suas lutas contra os holandeses, o rei Filipe III de Portugal
e Espanha, concedeu a Filipe Camarão brasão de armas, tendo a função
de governador e capitão-mor de todos os índios da costa do Brasil, desde
o rio São Francisco e até o Maranhão. Seu último combate foi na primeira
batalha dos Guararapes, em 1648, quando adoeceu e se recolheu ao Engenho
Novo de Goiana, vindo a falecer, sendo sepultado na igreja do Arraial.
Também chamado Poti por pertencer à tribo dos Potiguar.
Mário
Juruna - Filho do cacique Xavante Apoenã, nasceu na aldeia próxima
a Barra do Garças (MT) em 1942. Seis anos depois, sua tribo foi contatada
pela primeira vez, pela expedição do sertanista Chico Meirelles. Após
viajar por boa parte do Brasil, na década de 70, passou a percorrer
os gabinetes da Funai em Brasília, lutando pela demarcação xavante.
Foi então que se tornou famoso: jamais era visto sem seu gravador, "para
registrar tudo o que o branco diz". Juruna foi eleito deputado federal
pelo PDT (1983-1987). Sua presença no Congresso Nacional teve uma repercussão
enorme no país e no mundo. Ele foi responsável pela criação da Comissão
Permanente do Índio, uma das poucas comissões da Câmara Federal,
o que significou a elevação do problema indígena ao reconhecimento formal.
Porém começo ou a perder prestígio quando se comprometeu desastrosamente
com a campanha do candidato do PDS à presidência da República. Findo
o mandato, e abandonado pela tribo, ficou na miséria, em Brasília. Faleceu
em 18 de julho de 2002.
Nonoai - Velho cacique
Caingangue que viveu 120 anos. Ele morou em Santa Catarina no início
do século XIX, quando atravessou o Rio Uruguai e se estabeleceu nas
proximidades de Passo Fundo (RS), dando nome ao que hoje é a maior reserva
indígena do Estado. Um de seus maiores inimigos foi o cacique Doble,
que liderava índios estabelecidos onde hoje é Ibiraiaras. Doble foi
o índio que mais se aproximou dos colonizadores tendo inclusive massacrado,
em 1853, um grupo Caingangues rebeldes liderados pelo cacique João Grande.
Raoni
- Um dos principais chefes Txukahamãe, subgrupo Kayapó. Sua comunidade,
Kretire, localiza-se no norte do Parque Indígena do Xingú. Foi destituído
do cargo de cacique dos Caiapós-txucarramães por Tutu Pompo. Perdeu
em casa, mas ganhou o mundo. Acompanhando o cantor Sting, Raoni percorreu
o planeta, foi recebido por alguns dos mais poderosos políticos do planeta
e conseguiu atenção e dinheiro para a causa indígena no Xingu e na Amazônia.
Raoni nasceu em 1942. Ficou famoso em 1976, quando o francês Jean-Pierre
Dieleux dirigiu um documentário sobre sua vida. Raoni encarna o mito
do bom selvagem.
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