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Aimoré - Grupo não-tupi, também chamado de Botocudo, vivia
do sul da Bahia ao norte do Espírito Santo. Grande corredores e guerreiros
temíveis, foram os responsáveis pelo fracasso das capitanias de Ilhéus,
Porto Seguro e Espírito Santo. Só foram vencidos no início do século
20. Eram apenas 30 mil.
Avá-Canoeiro
- Povo de língua da família Tupi-Guarani que vivia entre os rios Formoso
e Javarés, em Goiás. Em 1973, um grupo foi contatado. Foram pegos "a
laço" por uma equipe chefiada por Apoena Meireles, e transferidos para
o Parque Indígena do Araguaia (Ilha do Bananal) e colocados ao lado
de seus maiores inimigos históricos, os Javaé . Parte da área indígena
Avá-Canoeiro, identificada em 1994 com 38.000 ha, nos municípios de
Minaçu e Cavalcante em Goiás, está sendo alagada pela hidrelétrica Serra
da Mesa, no rio Maranhão.
Baniwa
- Os Baniwa vivem na fronteira do Brasil com a Colômbia e Venezuela,
em aldeias localizadas às margens do Rio Içana e seus afluentes Cuiari,
Aiairi e Cubate, além de comunidades no Alto Rio Negro/Guainía e nos
centros urbanos de São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel e Barcelos
(AM). Já os Kuripako, que falam um dialeto da língua baniwa, vivem na
Colômbia e no Alto Içana (Brasil). Ambas etnias aparentadas são exímias
na confecção de cestaria de arumã, cuja arte milenar lhes foi ensinada
pelos heróis criadores e que hoje vem sendo comercializada com o mercado
brasileiro. Recentemente, têm ainda se destacado pela participação ativa
no movimento indígena da região. Esta corresponde a um complexo cultural
de 22 etnias indígenas diferentes, mas articuladas em uma rede de trocas
e em grande medida identificadas no que diz respeito à organização social,
cultura material e visão de mundo. Informações abrangentes sobre essa
área cultural estão na página Noroeste Amazônico.
Bororos
- Povo de língua do tronco macro-jê. Atualmente são os Bororo
Orientais, também chamados Coroados ou Porrudos e autodenominados
Boe. Os Bororo Ocidentais, extintos no fim do século passado,
viviam na margem leste do rio Paraguai, onde os jesuítas espanhóis fundaram
missões. Muito amigáveis, serviam de guia aos brancos, trabalhavam nas
fazendas da região e eram aliados dos bandeirantes. Desapareceram como
povo tanto pelas moléstias contraídas quanto pelos casamentos com não-índios.
Os Bororo Orientais habitavam tradicionalmente vasto território que
ia da Bolívia, a oeste, ao rio Araguaia, a leste e do rio das Mortes,
ao norte, ao rio Taquari, ao sul. Ao contrário dos Bororo Ocidentais,
eram citados nos relatórios dos presidentes da província de Cuiabá como
nômades bravios e indomáveis, que dificultavam a colonização. Foram
organizadas várias expedições de extermínio. Estimados na época em 10
mil índios, os Bororo sofreram várias guerras e epidemias até sua pacificação,
no fim do século XIX, quando foram reunidos nas colônias militares de
Teresa Cristina e Isabel e estimados pelas autoridades em 5 mil pessoas.
Entregues aos salesianos para catequese, em 1910, os Bororo somavam
2 mil índios. Em 1990, com uma população de aproximadamente 930 pessoas,
vivem no estado do Mato Grosso.
Caeté
- Os deglutidores do bispo Sardinha viviam numa população
de 75 mil índios desde a ilha de Itamaracá até as margens do
rio São Francisco. Depois de comerem o bispo, foram considerados "inimigos
da civilização". Em 1562, Men de Sá determinou que fossem "escravizados
todos, sem exceção".
Caiapó
- Povo de língua da família Jê. Distribuem-se por 14 grupos, num vasto
território que se estende do Pará ao Mato Grosso, na região do rio Xingu.
Os grupos são: Gorotire, Xikrin do Cateté, Xikrin do Bacajá, A'Ukre,
Kararaô, Kikretum, Metuktire (Txucarramãe), Kokraimoro, Kubenkrankén
e Mekragnoti. Há indicações de pelo menos três outros grupos ainda sem
contato com a sociedade nacional. Esses grupos são o resultado de várias
cisões, que se iniciaram em fins do século XVIII.. Em 1990, segundo
a Funai, eram 3.550 índios. Explorando a riqueza existente nos 3,3 milhões
de hectares de sua reserva no sul do Pará - especialmente o mogno e
o ouro -, os Caiapós viraram os índios mais ricos do Brasil. Movimentam
cerca de U$15 milhões por ano, derrubando, em média, 20 árvores de mogno
por dia e extraindo 6 mil litros anuais de óleo de castanha. Quem iniciou
a expansão capitalista dos Caiapós foi o controvertido cacique Tutu
Pompo (morto em 1994). Para isso destitui o lendário Raoni e enfrentou
a oposição de outro Caiapó, Paulinho Paiakan. Ganhador do Prêmio Global
500 da ONU, espécie de Oscar ecológico, admirado pelo príncipe Charles
e por Jimmy Carter, Paiakan foi acusado do estupro de uma jovem estudante
branca, em junho de 1992. A absolvição, em novembro de 94, não parece
tê-lo livrado do peso da suspeita.
Carijó
- O território dessa tribo se estendia de Cananéia (SP) até a
Lagoa dos Patos (RS). Vistos como "o melhor gentio da costa", foram
receptivos à catequese. Isso não impediu sua escravização em massa.
Em 1554, participaram do ataque a São Paulo. Eram cerca de 100 mil índios.
Deni-
Compreendem mais de 600 tribos indígenas que habitam uma planície entre
os Rios Purus e Juruá, localizados no Amazonas. Considerados como Tribo
Arawa, os Deni são parte do braço linguístico Aruak. A primeira menção
aos Deni aparece no relatório SPI de 1942. São divididos em grupos ou
clãs. Cada clã tem certa autonomia política, possuindo sua própria auto-identidade:
Bukure Deni, Kuniva Deni, Minu Deni, Varasa Deni, Hava Deni, Madija
Deni. Devido ao baixo potencial agrícola do solo da floresta, os Deni
equilibram sua dieta com a flora e a fauna selvagens. Os Deni são nômades
e sua população das aldeias oscila bastante, as aldeias são apenas uma
agregação de grupos familiares e de famílias. Eles não possuem uma unidade
inerente como comunidade. O Ciclo da Borracha, que se estendeu do fim
do século XIX até 1940, foi a principal causa da rápida ocupação ocidental
dos vales dos Rios Purus e Juruá e dos consequentes e trágicos desaparecimentos,
diretamente ou pela introdução de doenças, de muitas Tribos Indígenas
do Amazonas. Durante o boom da borracha, estima-se que a população indígena
da região do Rio Purus era de aproximadamente 40 mil indivíduos.
Fulni-ô - Os Fulniô são o único grupo do Nordeste que conseguiu
manter viva e ativa sua própria língua - o Ia-tê - assim como um ritual
a que chamam Ouricuri, que atualmente realizam no maior sigilo. Na parte
central das terras da reserva indígena se encontra assentada a cidade
de Águas Belas rodeada totalmente pelo território Fulniô. São
mais de 2.900 índios que vivem em Pernambuco.
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